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Uma obra de arte construída por milhares de palitos de fósforo

22/05/2022 - 261 exibições

   



O barco Athena, construído pelo italiano Alberto Vito Antonio Tamburrino, radicado em Erechim desde 1977, foi atração na noite de sexta-feira, 13, no Salão de Atos da URI, quando ocorreu a Aula Inaugural do Curso de Medicina.

Seu Alberto, que já foi cantor de ópera, vem se dedicando à obra há 25 anos e que foi sendo construída com milhares e milhares de palitos de fósforo. É uma verdadeira obra de arte, edificada com muita imaginação, detalhes, amor e carinho, como ele mesmo gosta de definir. O barco, uma espécie de caravela, nasceu de uma brincadeira com as crianças, e pode ser considerado como algo único em todo mundo.

Ele faz questão de frisar que o barco não está finalizado, pois sempre encontra pequenas modificações para torná-lo ainda mais perfeito. Por isso, seu objetivo também é entrar para o livro dos recordes, pois não encontrou nada semelhante, até o momento, nas muitas pesquisas que realizou.

Seu Alberto, de 84 anos, nasceu na cidade de Castelanetta, Província de Taranto, Puglia, sul da Itália, em 28 de fevereiro de 1938. Viveu sua infância no período da II Guerra Mundial e a região onde vivia foi de muita movimentação militar, período em que perdeu irmãos e o pai. Migrou para a Argentina, em 1954, com sua mãe, uma irmã e dois irmãos.

Quando chegou na Argentina, buscou o esporte como refúgio, tornando-se pugilista amador. Contudo, já no ano seguinte, com o golpe militar que buscava a derrubada do governo Perón, e, pela segunda vez na vida, com menos de 18 anos, enfrentou outra guerra, só que em um país diferente. Durante o conflito armado entre militares e governo, foi atingido nas costas por uma bala perdida, acabando com a carreira de boxeador.

Para fugir do caos, viajou de Buenos Aires a Santana do Livramento a pé, somente com uma muda de roupa e nenhum centavo no bolso. Ali, encontrou outros imigrantes italianos e, com a ajuda deles, inicia sua profissão de vendedor. Viajava a cavalo vendendo tecidos nas fazendas da região. Mas um tempo depois foi a Brasília e trabalhou como pedreiro na construção da capital do Brasil.

Mas voltou ao Rio Grande do Sul e ao trabalho de vendedor, quando casou e teve um casal de filhos. Depois de alguns anos, divorciou-se e começou a viajar pelo Brasil e o mundo como vendedor autônomo.

Em 1977, chegou a Erechim onde conheceu sua futura esposa com quem teve mais um casal de filhos. Já foi proprietário de restaurante e comércio, mas voltou a viajar como vendedor, inclusive para a Europa. Atualmente, vive em uma chácara próxima da cidade, onde passa grande parte de seu tempo dedicando-se basicamente ao Barco Athena.

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