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Paralimpíadas: Atletas com deficiência falam sobre esporte e inclusão

25/08/2021 - 739 exibições

   



Os Jogos Paralímpicos Tóquio 2021, disputados no Japão, começaram na terça-feira, 24, e a URI aproveita a ocasião para falar de inclusão por meio do esporte. A Universidade possui um Programa Institucional de Inclusão e Acessibilidade e Núcleos de Acessibilidade em cada unidade, que atendem alunos com diferentes tipos de necessidades especiais.

É o caso, por exemplo, de Pedro Henrique Baidek, de 24 anos, que tem Síndrome de Down, e Stefany Krebs, de 23 anos, que é deficiente auditiva. Ambos do Câmpus de Erechim. Ele é licenciado em Educação Física e agora está cursando o bacharelado. Ela está terminando o mesmo curso na instituição. São atletas com destaque estadual e internacional. Confira abaixo as entrevistas com eles:

Baidek é medalhista internacional de Judô, com prêmios na Itália e Holanda e já conquistou 41 medalhas e três troféus em diversas competições. A história dele com a URI começou ainda na Escola Básica, com apenas três anos. Foi lá que ele teve o primeiro contato com o esporte, por volta dos 10 anos. “Fui experimentando cada tipo de esporte na Escola: vôlei, basquete, fiz um pouco de futsal e depois fui para o judô. Quando experimentei o judô senti que era para mim. O judô é uma filosofia de vida, é o caminho para a suavidade. Esse esporte abrange muito conhecimento, aspectos cognitivos e físicos. Ajuda a desenvolver o equilíbrio e a força.”

Pedro conta que sempre foi acolhido pelas pessoas a sua volta e que nunca sentiu nenhum tipo de diferenciação por ter Síndrome de Down. “As pessoas me ajudavam, me incentivavam a continuar, começando pela família, pais, tios e minha irmã. A única dificuldade que senti, quando eu era pequeno, foi no equilíbrio, só isso. De resto treinava, me dedicava, me esforçava, todo mundo me cuidava. Eu ia fazendo meu processo de treinamento. Ninguém me tratou como coitadinho. O judô é uma família”, afirma.

Para Baidek, o esporte é uma importante ferramenta para o desenvolvimento de pessoas com deficiência. “Eu enxergo que pessoas com deficiência podem desenvolver cada vez mais os aspectos motores. Crianças com autismo, down e hiperatividade gostam do esporte e podem tentar vários tipos, pois podem ajudar em tudo na vida”, defende.

Baidek acredita que as Paralimpíadas são fundamentais para dar visibilidade para pessoas com deficiência. “Esse evento é muito importante para a vida delas, pois estão se dedicando, treinando para conquistar uma medalha. Essas pessoas têm muito orgulho de representar a cidade, o país. É importante para que elas possam fazer cada dia mais a diferença.”

Stefany Krebs ou simplesmente “Tefy”, como é conhecida pelos amigos e pela família, é atleta de futebol, tendo jogado inclusive no Palmeiras. “A experiência foi muito boa. Claro que existem altos e baixos, mas aprendi muito lá como atleta e ser humano. Não tive intérprete de libras para acompanhar tudo, mas tinha apoio de algumas meninas e alguns integrantes da Comissão Técnica, que explicavam o que tinha que fazer. Foram desafios e aprendizados para mim. Não foi tão fácil, mas sou muito grata por ter vivido a oportunidade no Palmeiras.”

Ela entrou na URI em 2017, quando foi aprovada no vestibular. Conta que a instituição teve participação importante na relação dela com o esporte. “A URI me ajudou muito, principalmente por compreender a necessidade que eu tinha de viajar e treinar. Quando já estava estudando e trabalhando na Universidade, precisava viajar uns dias e fui liberada. Recebi apoio. A instituição me incentivou a buscar meus sonhos. E isso faz parte da minha vida de atleta”, conta.

Sobre os desafios, Stefany acredita que para atletas com deficiência, se multiplicam. “Outros atletas já têm dificuldades, mas o atleta com deficiência tem em dobro, por falta de visibilidade, apoio, patrocínios e da valorização. Sou atleta da Seleção Brasileira de Futsal e Futebol de Surdas. A maioria de nós gasta o dinheiro do próprio bolso. Quando conquistamos títulos, recebemos atenção, mas dentro de um mês, já esqueceram”, desabafa.

O esporte também entrou cedo na vida de Stefany, ainda com seis anos, quando aprendeu a jogar com o irmão que também é surdo. “Sempre gostei de esporte. Quando participava das aulas de Educação Física era difícil faltar. Por isso, escolhi como minha profissão.”

Segundo Tefy, o esporte a ajudou a conquistar independência e reconhecimento. “O esporte me levou para vários lugares, até outros países. Fui reconhecida na comunidade surda e no município de Erechim. Estou feliz por ter representado nosso país, a URI Erechim e as pessoas com deficiências, que são capazes.”

Ela conta que fica ansiosa com os Jogos Paralímpicos, que segue até o dia 5 de setembro. “Estou torcendo para que o Brasil consiga as medalhas, sejam elas de ouro, prata ou bronze. Vai ser muito lindo assistir cada atleta que disputa e demonstra a superação, sem reclamar da vida.”

Programa Institucional de Inclusão e Acessibilidade

O Programa Institucional de Inclusão e Acessibilidade da URI tem como principal objetivo apontar as condições necessárias para garantir o acesso e a permanência de alunos com deficiência, transtornos do espectro autista (TEA) e altas habilidades/superdotação na instituição. De acordo com os Referenciais de Acessibilidade na Educação Superior (BRASIL, 2013), houve um aumento crescente desses alunos na conclusão de cursos de graduação em diferentes áreas e na realização do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Esse documento orientador das comissões para avaliação in loco também aponta para a importância do fortalecimento e da consolidação da política de inclusão no país, no âmbito do ensino superior, e exige das instituições que oferecem esse nível de ensino investimentos na formação continuada, visando sua qualificação para o atendimento de qualidade aos estudantes com deficiência, TEA e altas habilidades/superdotação. (Reportagem da Assessoria de Imprensa da Reitoria)

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